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até · que · o · pano · caia...


XZander

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* * *

Prometo contestar, sempre! Contestarei tudo! Tudo contestarei... tudo o que exista e que seja contestável... sempre pelo silêncio, esse silêncio, o silêncio incómodo do que não é dito...

 

Sorri... que dor é essa? Sorri... vá... sorri pela puta que escondes em ti... deixa-a abrir as pernas... vá... repara como ainda é virgem...a puta...coitadinha... ainda só gatinha... ainda não é puta sequer... obstipaste-a... sorri... que dor é essa? Ainda nem sequer caíste e já berras como um porco ao sentir a faca na goela... não há ascensão sem queda, meu anjo caído...

 

Gritarei... aqui está uma bela obra de arte... isto, isto é que é o belo... isto é que é o que é A ARTE... é assim que é a beleza artística... assim... é isto, assim, isto que não passa de uma bela merda...

Mas tu só vais notar o meu sorriso e o meu silêncio... e ficarás feliz porque eu existo... e ficarás feliz porque me vês sorrir... enquanto eu observo a escumalha do mundo a flutuar em ti... e sorrio... com a boca em parábola... com o coração eléctrico e disforme... este coração prostituto...

 

Prometo contestar sempre... contestarei tudo... tudo o que direi é: !     

Current Mood:
bored bored
* * *

Assim, lá fora é sempre melhor, dizia eu.

E tu vens, tu, delicadamente, vens e respondes.

Mas a janela abriu-se,

O vento em fúria fez com que a janela se abrisse,

E eu não ouvi mais nada.

 

Então, a neve entrava no quarto,

 Enquanto tu dizias branco para mim,

A neve entrava no quarto e eu não ouvi mais nada sem ser branco

E o som da janela a entrar no quarto e o silêncio branco da neve a entrar no quarto.

                        

                         b       b       b

                               r   r    r

                          b   r  a   n  c  o

                               n  n   n

                            c     c       c 

                         o       o         o

 

 

Assim, lá fora é sempre melhor, dizia eu.

Mas tu fechaste a janela e eu ouvi preto e nunca mais ouvi mais nada.


 

Current Mood:
contemplative contemplative
* * *
Aqui os dias morrem no mar, dizias...
chegavas sempre tarde a casa com o humor de rugas e sal e furia de ondas...
Aqui os dias morrem em ti...

Quando voltas? Perguntaste um dia...

Nunca mais...

* * *
Corria... desfiava-me em fugas,
Escondia-te de mim.
Olhava-te, secreto... furtivo.

Corria,
Céleres eram os meus passos.
Os olhos colhiam-me horizontes
Que mirravam.

Quando pensei alcançar uma distancia segura
Estaquei e recobrei fôlego.

E nesta estática existência
Colidi na tua.

Current Mood:
hopeful hopeful
* * *



             O meu corpo é a mentira onde mais fé depositas...
Current Mood:
annoyed annoyed
Current Music:
All the love in the world (NIN)
* * *



                                      Amo-te todos os dias menos nos que não te invento...
Current Mood:
restless restless
Current Music:
"Only" NIN
* * *
Andamos todos, ás cegas, à procura da verdade uns nos outros. Os corpos são a mentira mais brilhante e a mais severa cegueira.

A verdade é que não gosto de ver.

Current Mood:
weird weird
* * *
Adormeci com a lingua de fora e sonhei que a noite era doce. Só o que me amargava era a tua ausência.
Current Mood:
drunk drunk
* * *
Sem ti nada me faz sentido... dizia o encéfalo para o miocardio...
Sem ti a vida é-me somente mecânica, respondia-lhe o outro.
Eu soltava uma gargalhada de desdem e, momentos depois, tinha um enfarte...
Current Mood:
relaxed relaxed
* * *


Faz-me lembrar deste momento antes que o meu coração se volte a cobrir de inverno.

Current Mood:
lethargic lethargic
* * *
Gravei um segundo de ti
Enquanto te privavas de expulsar o ar para fora...

Quando te recordaste que é forçoso respirar
Já o meu corpo tinha sido cuspido das mandíbulas do teu breve desejo...

Arrastei-me para um canto, para ofegar em privado.
Tu defendias-te com o teu olhar elástico.
Assim seja... dou-me por vencido.

Quero voltar a essa fraqueza.

Current Mood:
quixotic quixotic
Current Music:
Marmalade eyes (Joseph Arthur)
* * *

Repara como isto não é nada.

                       Sou só eu a amar o olhar que existe antes das pessoas,

                                          Sou só eu a apaixonar-me pelas palavras que ficam coladas á língua.

 

                                         O amor consome que se farta!

 

Current Mood:
thirsty thirsty
Current Music:
Phenomena (yeah yeah yeahs
* * *


Cose-me o golpe por onde vertem as palavras.

Não deixes que o sangue nocturno tinja a lã dos recém chegados.

 

A luz a iluminar-te,

A mesma que me cega...

 

O ácido gnóstico,

O sofismo acre,

O epicurismo asséptico

Não podem salgar a terra.

 

Bebe! Existe até á exaustão.

Bebe! Permite-te correr p´los montes

Onde as Ménades dançam ébrias

E evoés ecoam entre os cumes.

 

Bebe! Existe até ao cansaço.

Ingere a carne que ainda pulsa

E regurgita-a crua no silencio...

 

Bebe!

Repara como o eco

Nega o som que o alimenta.

 

Só os espíritos mais lúcidos

Criam torres de Babel.

Current Mood:
drunk drunk
* * *
As ruas já não se dilatam na motriz ocular do avesso do corpo.
Não estou só por estar, porque procuro,
Mesmo quando só procuro não encontrar.

Preguei-me a alfinetes no mostruário da distancia...

Não gosto de estar aqui.

Tu passas e olhas-me sem reflectir e juras que te apaixonaste
No primeiro olhar que deixaste descair.

Ficas suspensa... quem sou eu, perguntas-te.
Eu lanço aquele sorriso e deixo-me ser o actor da tua história.
Ambos sabemos que eu não existo.
Pouco te importa que estejas só de passagem,
O mundo acabou segundos antes de me encontrares.

O meu nome é...
Há o amor e há aquela outra coisa...
Qual era o termo correcto?

Tens de me deixar daqui a pouco,
Quando a musica acabar.
Partes e nem me tocaste.

Sinto-te o gosto...
O teu nome é...
Já sei, há o amor e há...
Não me recordo... ficamos assim.

Podes olhar-me sempre que passares nesta rua.
O meu nome é...
Current Mood:
curious curious
* * *
A casa estende-se sob a luz que te envolve o peito.
Não esperes por mim.
Veste-te de solidão e lança-me um adeus lá bem de longe.

O teu mundo não cabe num lugar comum...
Os teus olhos penetram tudo menos nos meus...
Diz-me adeus...

O sono abraça-te na madrugada.
Um pouco mais que nada...

Current Mood:
drained drained
* * *

A meio quebrar da luz

A bruma a sussurrar:

Traz-me de volta á vida...

Deixa-me ficar...

 

A lagarta negra arrasta-se,

Palavra ambígua,

O texto que incendiou na pele

Das tuas memórias de papel.

 

Escoa-me de todas as verdades

Ás quais te cinges a omitir.

 

Mente-me ao ouvido...

Lábios em sangue...a sorrir...

 

Assumo o meu vazio...

Antes teres partido

Do que ficares por partir.

 

A lagarta negra asfixia-te...

Liberta-te de nós...

Desvia-te!

 

Não mexe...

Está fria...

Deixemo-los a sós...

 

 

 

 

Current Mood:
angry angry
* * *

Invade-me, alma adentro, um cínico desgosto

Que, por existir forçado, não o é

Senão um estado de artifício que o rosto

Expressa apenas em função de quem o vê.

 

O duplo a afigurar-se é corpo sem

Chegar a conter o peso da matéria.

E, sem existir, remete-se a quem

É corpo e o fita na própria miséria.

 

E, no reflexo surdo, os olhos embalam

A dúvida que se estende no olhar

Entre ambos os lados que se calam

 

De frente um para o outro, a divagar:

- dos sete anos de azar dos quais os mitos falam,

ao quebrar do espelho de que lado devo estar?

Current Mood:
confused confused
* * *

abstracção 1

 

Os corpos a tremer em câmara lenta.

Orgasmos que rebentam

Na combustão interior colectiva.

 

Criam-se campos magnéticos

Um a um... um a um... um a um...

 

Suguem-me para dentro desse núcleo!

Deixem-me ser a textura...

Deixem-me ser energia...

A pura.

 

...

 

abstracção 2

 

as vozes entornam-se para dentro do corpo...

como uma mensagem em sentido inverso

como se o meio se apoderasse das faculdades

e falasse com o nosso som.

 

O espaço a possuir-nos,

A fazer vibrar as cordas vocais,

A contar-nos o que somos para

O que nos vê do exterior.

 

A gravidade a pesar,

A competir com a força inata que

Nos impele a erguermo-nos do chão.

No fundo, o equilíbrio... a luta constante.

 

A vibração do universo,

O nada estático.

O sempiterno movimento.

 

A música interior,

A tela da projecção de todos os medos...

As alegrias,

Os abismos internos,

O amor,

A violência,

O calor... a forja da coragem...

A loucura!

 

...

 

abstracção 3

 

Os temas que nos impelem a mover.

Agonia

Medo

Fantasmas

Contraste do meu corpo

A minha voz

O perigo

A aventura de viver

O caminho nas pontas dos pés sob a linha invisível

O grito

Andar

Mais depressa

Mais depressa

Mais depressa

Mais depressa...

 

 

Pára!

 

Da Vinci.

O corpo angular...

Mecânico...

 

O grotesco maquinal.

 

Desenho no ar o meu corpo cúbico.

Sou uma piramide...

Um falo robotico de membros a penderem sobre o futuro.

 

Agora.

Current Mood:
contemplative contemplative
* * *

Seguiu-se um mês - dormência ininterrupta –

Desde que a neve se derreteu na corrente enxuta

Dos meus olhos.

 

O dia de hoje não existe

Senão no meu breve inventário.

 

Deixaste-me oco.

Reverberam em mim os poemas

Que nunca te escrevi.

Deixei-te duas rosas desfeitas

Em palavras,

Brancas como o grito

Algemado na

Garganta acre.

 

Assim passa o inverno,

No calar da tua voz,

A mesma de onde a mão de gelo

Fez sacudir um suspiro.

 

Os necrófagos esquecem

A ultima refeição.

Eu não.

 

Mastigo-me mudo

Perante o voo das

Tuas asas algemadas.

 

Em mim.




Current Mood:
sore sore
* * *

I lay this corpse upon the shore

And hope for tidal waves to come

To wash away this pain I dress.

And, in the sand, my body’s numb,

My soul’s obsessed

With all that’s past

And will be taken never more,

With all that never can be done.

 

But, may you rest,

Dear Beth, my mother.

May you rest

In that eternal spring of light

Wich has not yet bloomed to our sight.

For many were the rainy days

You had to bare along the flight.

 

This day you leave… the winter stays.

The sky resembles to you grace

As perfect tear drops made of white

Come, gently, land into my face.

Your magic way to say “goodbye,

Remember me, I’ll be all right”.

 

So long, snowflake,

Godspeed your soul.

May you be guide

By streams of gold.

I’ll meet you there

When time has come for me to go.

But, until then,

Just until then,

May all the winters yet to be

Arrive with snow…

 

 

 

Current Mood:
sad sad
* * *

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